sábado, 18 de fevereiro de 2012

Dons de Deus


A alguns anos atrás, no dia de minha Crisma, momento em que decidi por "minhas próprias pernas" caminhar na fé Cristã e lutar por um mundo mais justo e igualitário, recebi de minha querida madrinha um cartão como este acima. Este retrata uma escultura da Ir. Cáritas Müller, e se chama a Trindade Misericordiosa. Nele vemos a representação do homem e sua relação com a trindade. O Pai, aquele que se debruça sobre o homem para o acolher e receber; o Filho, servidor e cordeiro de toda a humanidade e o Espírito, chama viva que nos aquece e nos torna "novas criaturas".

E esta presença (da Trindade) que não cessa em nossas vidas nos mostra que realmente há vários dons, e que cada um em sua riqueza e individualidade participa do corpo místico da Trindade, faz-se parte deste Deus que deste o princípio se fez comunidade. 

E neste sentido, como dizia São Paulo, "o corpo é um só, mas tem muitos membros, e no entanto, apesar de serem muitos, todos os membros do corpo formam um só corpo." (1 Cor  12, 12). Se percebermos que cada um tem um dom recebido do Espírito, e que se colocado a serviço do próximo pode ser parte do reino de Deus aqui na terra, já teremos um novo mundo. Cada um é parte do todo. 

É  difícil hoje falar em ecumenismo, principalmente com alguns setores da sociedade que estão se voltando à pensamentos arcaicos e retrógrados. Mas como é bonito perceber que mesmo que eu não partilhe de uma doutrina, esta mesma doutrina é caminho de crescimento e de proximidade com Deus. Cada um faz sua experiência, seu caminho, e não há nenhum outro caminho correto senão aquele que te faz uma pessoa melhor, parafraseando Dalai Lama. 

Se conseguirmos perceber a riqueza que existe em nossas diferenças, e soubermos assim partilhar conhecimentos e responsabilidades teremos feito o mínimo esforço para alcançar o que todos os grandes líderes espirituais já prediziam: A PAZ!

Um maravilhoso e santo feriado a todos e todas!!! 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Ser feliz hoje

O ano já começou a mil por hora. Há de se conseguir tempo para tudo, inclusive para trocar ideias sobre tudo isto que vivemos, afinal filosofar faz parte da vida também... então vamos lá !!! (rsrsrsrsr)

Outro dia vagueando na net encontrei uma pequena série de quatro vídeos super bacana no Youtube, da filósofa Márcia Tiburi, falando sobre a felicidade, se ela mesmo existe, e se existe o que a condiciona, como nós vemos esta felicidade num mundo capitalista(?) pós moderno... 

E pressupondo que esta tal de  felicidade existe mesmo, esta semana, trocando alguns pensamentos com uma amiga e um amigo ficamos também discutindo a efemeridade da vida, e como nós protelamos os (breves) momentos de alegria ou entusiasmo que chamamos de felicidade. Deixamo-nos levar pelas atitudes alheias e nos conformamos a esperar que o futuro seja melhor, que no amanhã haverá um pote de ouro nos esperando no final do arco íris, e a nosso ver este pote não existe mesmo... 


Enquanto nos damos por satisfeitos com nossas sementes, vem a chuva, vem a terra, vem os bons ventos, e nós deixamos tudo passar... Nos satisfazemos tendo no hoje o mediano ou o péssimo, sonhando com  o melhor para amanhã... e deixamos de ver que o melhor está no agora, e não é preciso ir tão longe para encontrá-lo, o melhor está dentro de nós mesmos... isto não é um modo figurado de dizer, estou certo de que o melhor de nossas vidas só pode acontecer quando criamos consciência do Deus que nos habita e de que ele coloca em nossas mãos todos os tipos de bençãos, mas se não estivermos atentos para acolhê-las no hoje, talvez no amanhã elas já nem mais existam.

Ser feliz, como dizia Márcia Tiburi no vídeo, não é uma representação, não é a imagem da família feliz, na praia, com um carro do lado, comendo um maravilhoso café da manhã com uma margarina qualquer. Satisfação não é felicidade. A felicidade não é a ausência da dor, não é poder sorrir o tempo todo, não é não ter perdas, pois tudo isto faz parte da vida, e por consequência, faz parte da felicidade (se tudo isto não for ilusão !!!!).

Depois de tudo isto, ainda acredito que a única coisa aparentemente verdadeira é o hoje. Então busquemos fazer de nossa existência algo que possa valer a pena no hoje, no dia a dia.... 

"A vida é árdua demais" (Freud), mas pode ser mais simples do que agente imagina!!! 

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Juventude "dual-mode"


Os cinéfilos de plantão, ou pelo menos a grande mídia está mantendo esta semana um assunto comum: a estréia de gala do filme Amanhecer, da Saga Crepúsculo, primeira parte do quarto livro da autora Stephenie Meyer. Somente no final de semana de estréia no Brasil o filme já arrecadou cerca de R$ 19 milhões!!!!

Mas isto é apenas curiosidade para fã!!! O que busco aqui é uma análise da reação do público ao teor e conteúdo do filme. Como todos sabem vivemos num mundo em que toda a juventude (pelo menos a que tenho maior contato) busca mais liberdade (de expressão, de direitos, de idéias, etc...) e renega valores que nossas avós tinham como sendo leis imutáveis.

Casar virgem hoje em dia é maior raridade. Romantismo é piegas. As pessoas se casam cada dia mais tarde, privilegiando a carreira, para depois de estáveis profissional e financeiramente buscarem constituir família. Entretanto, para (meu) espanto, os personagens Bella e Edward, protagonistas dos filmes da saga citada são exatamente tudo que a juventude não assumi hoje, e mesmo assim são tidos como modelos e geram suspiros e mais suspiros em meninas e (alguns) meninos!

É estranho imaginar que as meninas ainda sonham se casar virgens, sendo que a realidade de vida sexual da juventude não é esta. O que acontece conosco? Estamos em "dual-mode", ligados ao mesmo tempo em duas realidades completamente diferentes e opostas. E isto talvez seja uma tendência aplicável também a outras áreas.

Numa entrevista concedida a um jornal de São Paulo, em uma das muitas salas que estrearam este mesmo filme, a repórter perguntou a uma jovem de 22 anos o que ela achava do personagem Jacob (um índio-lobisomem adolescente bonitão e boa pinta!!!) em comparação com Edward (o amor vampiresco de Bella) e vejam a resposta literal: "Ele (Jacob) é mais 'caliente'. Acho legal ele defender a reserva dos índios. Seria genial se tivéssemos alguns índios lobisomens aqui no Brasil para defender o Xingu. Com certeza não iria acontecer essa desgraça de Belo Monte." Gente, eu não sei vocês, mas para mim foi no mínimo improvável esta declaração.

Fiquei sinceramente muito feliz de ver um tema político de tão grande importância como a Usina de Belo Monte ser causa de preocupação de uma jovem de 22 anos, mas que é improvável desejar que tenha-se um lobisomem para defender nossas florestas, isto é!!!! Sinal de que não só de entretenimento e coisas vãs vive a juventude brasileira, mas também de toda a política e compromisso social.

Que bom ! Que venham outras dualidades, e que estas sirvam como ponto de partida para debates de pontos de vista para uma vida melhor e mais fraterna para nossa juventude, e para todos!


terça-feira, 22 de novembro de 2011

Parapan - nós é que somos deficientes!

Ontem lendo a parte esportiva do jornal, uma notícia me chamou mais atenção que a classificação do campeonato brasileiro (rsrsrsrsr) e levou-me a refletir nossa mentalidade a respeito das pessoas portadoras de necessidades especiais !

A notícia dizia que o Brasil (nos jogos de Guadalajara deste ano) havia ficado em primeiro lugar no quadro de medalhas (197 ao total), superando os EUA, segundo colocado, em mais de 60 medalhas. Para quem não se lembra, nos jogos considerados "normais", ou seja no Paramericano - também em Guadalajara, o Brasil ficou em terceiro lugar, com 141 medalhas no total, atrás de EUA e Cuba. 

Analisemos agora os fatos: porque não damos valor a quem (também) merece todo o reconhecimento e orgulho do Brasil? Nossos atletas portadores de necessidades especiais!!! ESPECIAL realmente deveria ser nossa atitude diante de atletas que permanecem lutando sem patrocínio ou investimento. ESPECIAL deveria ser toda a programação durante todo o Parapan.... o que mudou na programação das tvs, rádios, jornais? talvez uma pequena noticia de 30 segundos ou poucas linhas informando que anônimos brasileiros haviam conseguido mais algumas medalhas de ouro para o país que não se importa com eles, nem nos jogos, e tão menos no dia a dia. 

Alguém aí conhece Goalball? Pois é, o Brasil foi Ouro e Prata, com homens e mulheres nesta categoria!!! Muitos foram os ouros da natação no Pan, com destaques Thiago Pereira e César Cielo? Pois um tal de Daniel Dias, conseguiu apenas 11 ouros no Parapan... mais ouros que os dois astros anteriores juntos! No Parapan o Brasil subiu ao pódio na natação 85 vezes! E no atletismo 60. E Terezinha Guilhermina? É só a mulher mais rápida nos 100, 200 e 400 metros no Parapan. E é brasileira! Isto acontece no Pan, com os atletas normais? Não né... falando sério, é a primeira vez que vê o nome desta brasileira né?!!! 

Estes sim deveriam ser conhecidos, deviam estampar as propagandas esportivas, as campanhas, lotar os aeroportos... Fica aqui meu reconhecimento a todos (as) atletas paraolímpicos, não apenas por suas medalhas (ou mesmo pela ausência delas) mas por serem todos os dias, realmente ESPECIAIS!





sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Imitadores de Cristo

Esta semana, que não foi uma semana das mais fáceis, estivemos refletindo sobre o AMOR, presente em muitos textos e passagens da bíblia. E discutindo após a oficina, percebemos que o grande exemplo de amor maior é o próprio Jesus Cristo. E como é difícil "imitar" a Cristo, todos os dias, em todos os momentos, incondicionalmente... Nosso coração está longe de parecer com o coração de Cristo.

Coincidentemente, encontrei uma música da banda Diante do Trono que fala sobre isto, e achei tão bonito que decidi partilhar aqui. A letra é linda e a música mais ainda.


quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Padroeira do Brasil?





Segundo a tradição, hoje celebramos o dia da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora da Conceição Aparecida. E também celebra-se hoje os 80 anos do Cristo Redentor, uma das 7 novas maravilhas do mundo moderno. E pela manhã, logo após o café, ao buscar notícias no jornal esperava eu encontrar demonstrações (como de costume) de como a fé em Maria Santíssima e em Cristo Jesus movem o povo brasileiro, do Oiapoque ao Chuí. 

Entretanto, uma reportagem que saiu na Folha de São Paulo me deixou, no mínimo, estasiado! O Cardeal Raymundo Damasceno, bispo de Aparecida e presidente nacional da CNBB fez a seguinte declaração a respeito de Nossa Senhora Aparecida: "Ela parece negra, mas não é. Esta é uma leitura missionária que encontrou na cor escura uma maneira de se solidarizar com o povo escravo. É uma leitura válida, mas não tem fundamento. Nossa Senhora Aparecida é um fator de integração racial, reunindo devotos de todas as cores e condições sociais”.

Segundo o IBGE, o número de negros (pardos e pretos) em 2010 foi de 96,7 milhões de pessoas, o que correspondia a 50,7% de toda a população brasileira. E mesmo num país que possui a maior população negra fora da África, somos ainda obrigados a conviver com este racismo velado e revestido (assim como dizem estar a imagem de Aparecida, apenas revestido de negro).

Se o culto a Nossa Senhora Aparecida reúne em torno de si todas as cores e condições sociais (o que na verdade nem deveria ser associado a esta discussão já que a matéria em nenhum momento o cita), isto deveria ser visto como reflexo deste Brasil tão misto, tão diverso e tão multicor, e sendo assim, inclusivo, e não exclusivo. Será que o maior santuário mariano do mundo, e uma das mais visitadas basílicas do mundo se incomoda de ter uma padroeira que seja negra? Será que o povo se incomoda? Será que isto muda a fé das pessoas que tantas graças alcançam de suas mãos? 

É bom o Cristo Redentor se cuidar! Nos próximos aniversários podem declará-lo não mais carioca, talvez até o mudem para o Sul. Em tempos de má fama carioca, pode não 'pegar bem' o Cristo 'morar' tão perto dos negros e pobres das favelas cariocas. 

domingo, 28 de agosto de 2011

Vocação



Ao final deste mês de Agosto, mês dedicado ao aprofundamento e às celebrações das vocações cristãs podemos pensar juntos algumas questões que considero importantes para o discernimento vocacional de qualquer pessoa. 

Primeiro: discernimento requer conhecimento de si mesmo. Isto é fácil de imaginar. O problema é que na maior parte das vezes nós simplesmente não nos conhecemos de verdade, ou achamos que nos conhecemos, enquanto nossa real essência está escondida num canto empoeirado e esquecido do nosso íntimo (na maior parte das vezes inconsciente). Para realizar um discernimento vocacional de qualidade é preciso utilizar, para tanto, alguma ferramenta que nos permita primeiramente se auto conhecer. 

Um outro fator importante a ser considerado é que discernimento vocacional requer tempo. Mas no mundo de hoje, como esperar o tempo certo para tomar decisões? Se no cotidiano corremos para tudo, é imprescindível não correr na hora do discernimento vocacional. Verificar as implicações futuras de uma opção vocacional requer tempo, os prós e contras, e acima de tudo, meus sentimentos a respeito desta ou daquela opção não pode ser feito na pressa. Isto seria um erro muito grande. 

Algo que também não se considera (pelo menos a maioria das pessoas não considera) é que o que penso hoje pode não ser o mesmo que penso amanhã. O que na prática significa que a opção que escolho hoje pode não ser a que vou permanecer. O discernimento vocacional deve ser então um processo contínuo, e não limitado às fases iniciais da vida cristã. Somos chamados a felicidade e isto pressupõe não sermos obrigados a fazer algo que para nós é penoso. Não estou minimizando aqui a importância do compromisso assumido, o que estou dizendo é que tanto no sacerdócio, na vida religiosa, na vida matrimonial ou na vida laical existe um período de preparação, tempo de experimentar a opção e que este tempo deve portanto ser bem vivido para que o compromisso que se segue seja fruto de profundo discernimento e, portanto, carregado de compromisso consigo mesmo e com os outros.

Para concluir enfatizo a importância de cada um para o corpo místico de Cristo, que é a igreja, independente de sua escolha vocacional. Nenhum caminho será mais digno ou mais importante que o outro. Como São Paulo diz em sua primeira carta aos Coríntios: " Porque, como o corpo é um todo tendo muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim também é Cristo" - 1 Cor 12, 12

"Cristo revela o homem ao homem e lhe manifestará sua mais alta vocação" - Concílio Vaticano II